A década do cérebro 
Querida Virgínia, os cientistas apelidaram a década de 90, de a década do cérebro. A descoberta mais espantosa e revolucionária é a de que a gente nem sempre nasce com todas as células cerebrais que temos na vida. “Parece, que entre o nascimento e o final da adolescência, bilhões de novas células são acrescentadas ao cérebro, construindo novos circuitos de neurônios à medida que as crianças e adolescentes interagem com o seu meio ambiente. O processo de acréscimo se torna mais lento na idade adulta, mas não pára. Ao que tudo indica, os circuitos maduros são mantidos pelo acréscimo de novas células até a velhice.“
Papo de maluco né...Mas põe a cabeça prá funcionar e imagina que chance maravilhosa nós temos de não detonar o nosso cérebro e ao contrário contribuir com este crescimento de células novas. Se o maior período de crescimento é na adolescência, significa que podemos procurar um ambiente mais bacana para ajudar o desenvolvimento do cérebro.
Virgínia, como você, já tive curiosidades sobre as drogas. Principalmente a maconha. Li Carlos Castanheda quando tinha 16 anos. Achei o máximo. Aquele papo de abrir a mente e através de alguns tipos de alucinógenos chegar a tal verdade. Claro que não fui atrás dele , mas confesso que pensei como seria isso. Sou praticante da Yoga e medito todos os dias. Conversei com muitos monges em diferentes filosofias e descobri que no início de tudo, a maconha era usada como forma de abrir os horizontes para novas visões. Como Castanheda conta à respeito dos índios. Só que naquela época eles plantavam a erva no mosteiro e da terra ela era levada diretamente para os templos. Era um encontro com “Deus”. Hoje é impossível imaginar esta verdade. Como uma erva pode ser benéfica enquanto milhões de pessoas morrem por causa dela??? O que tem de sagrado e iluminado nisto? Antes de acender um “baseado” , pense no caminho que ele percorreu até chegar às suas mãos. É plantada na clandestinidade e muitas vezes por crianças e adolescentes que são maltratados e privados de saúde e educação. No caminho, a guerra do narcotráfico, que nem é preciso explicar. Quantos morrem até chegar nas mãos do famoso mula (crianças que transportam) e antes de chegar as suas mãos. Pela quantidade de sangue até agora, não pode ser chamada de erva santa. E nem muito menos acreditar que esta energia da morte pode abrir algum caminho de luz. É simples. Feche os olhos e imagine sua passagem no lugar destas pessoas que vivem da morte e do sonho da droga. Existem outras formas de encontrar esta tal verdade. Quando nos transportamos através da meditação, encontramos luz, paz, serenidade e uma imensidão de energias capazes de abrir a mente para novos horizontes. A melhor maneira de alcançar estas verdades distantes do nosso dia-a-dia é através do autoconhecimento e não da droga. Pense nisso, já que ganhamos mais uma chance divina de aumentar nossas células cerebrais num momento super importante da vida que é a adolescência . Preste atenção por onde anda e o que está fazendo com seu corpo.
Frase do dia: “Nossa alma pode ser comparada a espelho vivo com qualidades de absorção e exteriorização”. (Alberto Seabra)
Dicas: • Entre no site www.shakti-yoga.com. Descubra a força da meditação • Converse com seu pai sobre drogas e pergunte se ele já teve alguma experiência e como foi. • Pule fora da galera barra pesada, principalmente se você é forçado a andar com eles para parecer bacana. Bacana é ser inteligente. Entre numa Vibe saudável e mude de tribo. • Fique mais em contato com a natureza.
Flávia Lippi apresenta o Programa Repórter Eco todos os domingos, às 17:30 e às segundas às 19:30 na TV Cultura canal 2, multicanal e Globosat, canal 27. Se quiser participar de palestras ou cursos: “Secretária nota 1000”, “Quem vê cara vê coração” e “Personalidades no trabalho”. Envie um e-mail para mais informações, ou se quiser alguma dica, é só perguntar que eu respondo, flavialippi@uol.com.br.
Escrito por Flávia Lippi às 06h52
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