Nade,pedale e corra uma maratona
Todo triatleta, ao menos uma vez na vida, já se perguntou sobre o desafio de completar uma maratona, apenas com um par de tênis e nenhum suporte tecnológico, muitas vezes empregado no triatlo.
Entretanto, muitos triatletas desistem deste desafio por pensarem que, ao treinarem para tal distância, fatalmente, o desgaste gerado pelo treinamento os afastaria das demais modalidades, principalmente, do tão amado ciclismo.
E ainda, muitos pensam que este treinamento massacraria seus corpos, aumentaria as possibilidades de lesão, sobre-treinamento e levaria a um longo período de recuperação pós-competição, retardando assim a volta à sua rotina normal de treinamento. No entanto, é possível incorporar a natação, o ciclismo e também um trabalho de força específico a um programa de treinamento para maratona que permita ao atleta treinar de maneira consistente e com baixo risco de lesão, completando assim a corrida dentro do limite de tempo programado.
Para tanto, o primeiro passo começa pela escolha do evento, com no mínimo 12 semanas de antecedência, tempo necessário para a execução do programa de treinamento. Nesta fase, certamente, o volume e a intensidade dos treinos de natação e ciclismo deverão ser diminuídos e o foco passará a ser as corridas de longa distância.
Entretanto, o ciclismo e a natação serão importantes complementos na manutenção do condicionamento cardiovascular e no relaxamento da musculatura após os longos treinos de corrida.
As corridas de longa distância constituirão o treino principal, em seguida das corridas mais curtas e de maior intensidade, uma vez que serão estas as responsáveis pela manutenção do ritmo de prova durante a competição.
Um trabalho de força específico na sala de musculação, ou mesmo no campo, utilizando o peso corporal e/ou pesos livres, será de extrema importância para o fortalecimento da musculatura dos membros inferiores. Assim, haverá uma melhora na eficiência dos movimentos, ou seja, músculos mais fortes terão menor desgaste na realização de uma mesma tarefa e aumentarão a resistência muscular do corredor. Além disso, o treinamento de força deverá fortalecer a musculatura do tronco, responsável pela estabilidade do corpo, além de formar o eixo de transferência de força dos membros superiores para os membros inferiores e dos membros inferiores para o solo, sendo fundamental para a melhora da eficiência de deslocamento do atleta. Este treinamento deve ser realizado não apenas por atletas de alto rendimento, mas sim por todo corredor, experiente ou iniciante, devido à melhora na economia de movimento e ao importante auxílio na profilaxia de lesões.
Dicas para elaborar sua planilha:
- Não realize corridas de longa duração e corridas de alta intensidade em dias consecutivos. Ambas causam grande depleção dos estoques de glicogênio muscular e necessitam de maior tempo para recuperação;
- A natação é uma ótima ferramenta para o alívio de dores nas pernas causadas por corridas longas ou intensas. O mesmo vale para um giro leve na bike;
- Tenha sempre um dia de descanso na semana. Dessa forma, além de proporcionar a ressítese do glicogênio muscular e hepático você permitirá um aumento na síntese protéica muscular e poderá assimilar melhor os benefícios da sobrecarga de treinamento. Lembre-se de que o objetivo é melhorar a capacidade funcional do organismo, e isto, só será possível na fase de recuperação. “Você não se fortalece treinando, mas sim quando descansa do treino que foi feito!”
- Dê preferência para os treinos longos aos finais de semana, quando a disponibilidade de tempo é maior. Realize os treinos de intensidade às quartas-feiras, assim, a qualidade de ambos será garantida e você otimiza o seu tempo;
Intensidade – como e quanto devemos forçar nestes treinos?
Os primeiros quatro a seis treinos de intensidade deverão ser executados de maneira extensiva, ou seja, com foco em distâncias mais longas e duração entre 10 e 30 minutos, em ritmo de competição de 10km. Estes treinos poderão ser realizados em trilhas, pistas ou mesmo em ruas, totalizando cerca de 30% do volume semanal de corrida. Já os últimos quatro a seis treinos de intensidade deverão ser mais curtos, com duração entre 3 e 10 minutos, no máximo. Porém, sua intensidade deverá ser maior, semelhante à competições de 3km a 5km, lembrando que os ritmos nestes treinos deverão ser proporcionais ao ritmo programado para a maratona.
Se você pretende correr a maratona para 3h30min, aproximadamente 5min/km, não haverá benefício em treinar tiros de 1.000m para 3min15s/km! Ou seja, a intensidade deverá ser condizente com suas perspectivas reais para a competição. Seja criativo na escolha dos treinos e não se esqueça de realizar um bom aquecimento e volta à calma ao final de cada sessão.
Em relação à intensidade das corridas longas, mantenha um ritmo moderado e confortável, sempre! Entretanto, ao final da programação, as três últimas sessões de corridas longas deverão ser realizadas no ritmo pretendido para os seus 42.195m.
Como dito anteriomente, o treinamento de força realizado ao longo da fase de preparação proporcionará maior resistência muscular, o que será fundamental para manutenção da eficiência dos movimentos e do desempenho nos últimos 10 km da maratona, quando cada passo será um desafio.
Para se obter um melhor aproveitamento na execução de seus execícios de força, algumas dicas são válidas:
- Aqueça sempre seu corpo antes do treino de força. Para isso, utilize uma atividade aeróbia de baixa intensidade.
- Concentre-se na qualidade e na amplitude dos movimentos. O mais importante é a perfeita execução dos exercícios. Caso isso não ocorra, diminua o peso.
- A fase concêntrica (quando o músculo realiza a ação encurtando seu comprimento) deve ser explosiva, para que o número de unidades motoras recrutadas seja o maior possível. Já na fase excêntrica (retorno), a velocidade deve ser moderada. Assim, a musculatura permanecerá contraída por mais tempo.
- Fique atento na hora de escolher o peso! O peso correto para qualquer exercício será aquele capaz de promover a fadiga da musculatura nas últimas repetições, entretanto, ao final da série, a sensação é de que seria possível realizar mais 1 ou 2 repetições.
- Mantenha a respiração coordenada e com boa amplitude durante toda a execução, evitando hiperventilar e realizar a manobra de Valsalva (prender a respiração no instante de maior esforço).
- Se possível, realize o treino de força algumas horas após o último treino do dia. Assim não haverá prejuízo de rendimento nas outras modalidades, uma vez que o treino de força, devido ao seu maior componente anaeróbio, depletará significativamente o glicogênio muscular.
- Caso algum exercício seja desconfotável, substitua-o por outro similar. Escute seu corpo! Você não tem que se adaptar aos exercícios, mas sim os exercícios devem ser adequados a você.
Para os triatletas de curta-distância que planejam realizar uma prova de ironman, a execução de uma maratona durante a fase de preparação será muito importante para o sucesso na competição. Entretanto, ainda hoje, é comum encontrarmos casos de atletas de ironman que nunca correram uma maratona fora do ironman, o que certamente constitui um erro enorme. Em suma, o mais importante é ressaltar que o sonho de se realizar uma maratona é algo perfeitamente possível para o triatleta que não deseja interromper seu treinamento nas demais modalidades. Já para aqueles que sonham em um dia completar um ironman, correr uma maratona torna-se uma etapa fundamental!
Bons treinos!
Prof. Sérgio Bunioto - meu treinador
Escrito por Flávia Lippi às 19h13
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